O sindicato apresentou à associação patronal APHORT uma proposta de revisão do CCT em novembro de 2025 para dar tempo às negociações de modo a que os aumentos salariais tivessem lugar em janeiro de 2026.
Contudo, a associação patronal APHORT, que representa a esmagadora maioria das empresas da hotelaria e restauração na região Norte, tem vindo a recusar sucessivamente as reuniões propostas pelo sindicato e, até à data, não apresentou qualquer proposta de aumentos salariais para 2026.
Para o sindicato, a posição da APHORT é muito clara: a APHORT recusa negociar aumentos salariais para 2026 para baixar ainda mais o salário médio no setor.
A única proposta que a APHORT apresentou ao sindicato foi para retirar direitos aos trabalhadores, designadamente: aumento do período experimental; alargamento da polivalência de funções; alargamento das transferências de local de trabalho; horários concentrados até 12 horas diárias; mais facilitação na alteração dos horários de trabalho; agravamento do trabalho por turnos; obrigação de trabalhar no dia 1 de Maio e da tolerância no dia 24 de dezembro; agravamento na marcação das férias; agravamento no regime de faltas; redução da retribuição nas férias; redução de 100% para 25% e 37,5% do pagamento do trabalho suplementar; redução de 200% para 100% no pagamento do trabalho em dia de descanso semanal e dia feriado; retirada do direito à alimentação em espécie; acabar com o direito a diuturnidades, abono de falhas, prémio de conhecimento da língua inglesa, etc.
Ora, o setor vive uma excelente situação há anos sucessivos, desde 2022. O ano de 2025, tal como os antecessores, foi o melhor ano turístico de sempre e todos os indicadores apontam que 2026 ainda será melhor. Segundo os dados do INE publicados no dia 15 do corrente, o setor na região Norte obteve um aumento de dormidas de 6,3%. Já os salários do alojamento são 259 euros abaixo da média nacional.
Assim, mais de 100 mil trabalhadores da Região Norte arriscam ficar sem contratação coletiva em 2026 face à posição dos patrões. Se tal vier a acontecer, haverá um aumento substancial de trabalhadores a receberem o Salário Mínimo Nacional, que poderá atingir cerca de 90% dos trabalhadores. Aqui está a razão da falta de trabalhadores no setor.
Face à posição incompreensível por parte da APHORT, o sindicato está a negociar cadernos reivindicativos em mais de 70 hotéis e a realizar ações de informação e protesto à porta dos hotéis para reivindicar:
- Aumentos salariais de 15% na tabela salarial, com o mínimo de 150€ para cada trabalhador e o salário de entrada no setor de 1.050€;
- Atualização do prémio de línguas para 60€ por cada língua estrangeira falada;
- Atualização das diuturnidades para 30€ por cada diuturnidade;
- Atualização do abono de falhas para 65€ mensais;
- Atualização do subsídio de alimentação para 151€;
- Pagamento de um prémio de 25% da retribuição para os trabalhadores que tenham horário repartido e para os trabalhadores que trabalham em regime de turnos;
- Pagamento do trabalho ao fim de semana com um acréscimo de 25%.
Hoje, a partir das 7 horas, o sindicato realiza uma ação à porta dos principais hotéis da baixa do Porto e, pelas 9:30 horas, dará um Conferência de Impressa à porta do Hotel Brasileira para denunciar publicamente a situação.
A FESAHT emitiu um pré-aviso de greve para a Grave Geral promovida pela CGTP-IN prevista para dia 3 de junho. Os trabalhadores do setor vão aderir à greve geral na defesa dos direitos, por aumentos salariais e contra o Pacote Laboral violento, agressivo e inconstitucional do Governo, Pacote que representa um assalto brutal aos direitos dos trabalhadores.
Fonte: Sindicato Hotelaria Norte
