Sobre as declarações de 23 de abril, no Jornal Expresso, do Presidente do Conselho de Administração da EGEAC em vésperas de uma Greve Geral dos trabalhadores desta empresa municipal.
A postura da Administração da EGEAC e do Executivo de Carlos Moedas é uma lição magistral de cinismo e demagogia que nenhum trabalhador pode aceitar. Pedro Moreira afirma, com uma bonomia de fachada, que este é o Conselho de Administração que mais dialogou com os sindicatos, mas a verdade é que este suposto "aberto ao diálogo" não passa de um monólogo de poder que não produz um único resultado prático para as condições laborais dos trabalhadores da EGEAC.
Enquanto nos tentam entreter com palavras mansas, a realidade é a manutenção e estagnação salarial, a falta de transparência e o recurso ao silêncio estratégico para evitar dar explicações sobre as mais variadas decisões que atentam os direitos e as expetativas dos trabalhadores. Prometer esclarecimentos e respostas, sabe-se lá para quando, enquanto se exige que os trabalhadores fiquem calados perante a incerteza não é diálogo, é um exercício de desgaste e de desrespeito por quem faz a cultura desta cidade acontecer todos os dias.
A tentativa de deslegitimar a greve dos trabalhadores, classificando-a como uma mera ferramenta de "carga ideológica", ou um ataque partidário porque o governo local é de direita, é uma ofensa à dignidade da sua luta. A Administração quer fazer crer que as reivindicações em questão são um jogo político, ignorando deliberadamente que o que está em causa são salários, carreiras e o direito a uma gestão transparente.
É de um cinismo atroz dizer que existe "colaboração total" ao mesmo tempo que se negam respostas, soluções e se torce publicamente para que a participação na greve seja "diminuta". Para esta Administração, indiretamente também para o Executivo municipal, o diálogo só é válido se servir para a capitulação dos trabalhadores e quando exigem direitos, passam a ser rotulados de "extremistas" ou "agentes ideológicos".
Dos factos que o Presidente do Conselho de Administração da EGEAC aparenta ignorar, porventura embrulhado na sua própria carga ideológica, o desrespeito pelo Acordo de Empresa em matéria negocial. Desde 2021 que esta Administração simula uma negociação com a principal estrutura representativa dos trabalhadores, o STML, aplicando na prática as decisões assumidas pelo Governo Central para a Administração Pública em termos de política salarial. Desde 2021 que os trabalhadores veem assim diminuídos os seus rendimentos.
Há vários anos que esperam igualmente por respostas a vários processos, como no campo das reclassificações profissionais, reposicionamentos salariais e respeito pelos anos de casa, estabilidade no direito à Medicina do Trabalho, melhoria nas suas condições de trabalho, respeito pelo direito à conciliação com a vida pessoal e familiar ou o trabalho suplementar realizado e ainda por pagar, nomeadamente pelos trabalhadores do Castelo de São Jorge, mas não só. São muitos os problemas que esta Administração tem ignorado deliberadamente, numa opção que ofende e agrava a vida dos trabalhadores da empresa.
Deduzimos nas palavras do Presidente da EGEAC, talvez fazendo eco da vontade de Carlos Moedas, que o mais importante será continuar a assobiar para o lado, erguendo um mundo artificial onde os trabalhadores são apenas um floreado que se usa ou utiliza quando mais importa, à semelhança do programa aprovado para as festividades deste mês de abril em que a “primavera” ganha mais preponderância que a Revolução de Abril de 1974, momento maior na nossa História que permitiu erguer a Democracia e a Liberdade, também o Direito à Greve, enquanto direitos elementares e pilares da nossa sociedade, mas que aparentam incomodar bastante os que hoje se arrogam ser os donos da cidade e da vida daqueles que lhe dão corpo e alma: os trabalhadores.
Contra este falso diálogo que nada resolve e contra o apagamento da nossa identidade cultural, a resposta dos trabalhadores será sempre a união e a resistência. A greve que se realiza hoje, dia 24 de abril, pelos trabalhadores da EGEAC, é mais um passo na luta por melhores condições de vida, mas também por um serviço público de cultura que de facto respeite a memória e os direitos dos lisboetas! E não se ficará por aqui.
Fonte: STML
