Que grande 1º de Maio camaradas. Que grande expressão do mundo do trabalho, dos trabalhadores, dos jovens, dos reformados, do povo deste país.
E este dia constrói-se exactamente como hoje estamos aqui a fazer, nas ruas, nas praças, nas avenidas, de norte a sul do país, dando corpo ao 1º de Maio, ao dia do trabalhador, fazendo deste dia um dia de festa, mas também um dia de luta!
Em nome da CGTP-Intersindical Nacional deixar a todos os trabalhadores, mas em particular para todos aqueles que hoje, para puderem ter o direito de participar no seu dia, no dia do trabalhador, tiveram que exercer um direito que é seu, o direito à greve, a todos vós, a todos que são os obreiros do mundo, em nome da CGTP-IN, uma forte saudação.
Caros camaradas e amigos,
O mundo com o qual hoje nos deparamos está cheio de incertezas e desafios. Os conflitos e as guerras alastram, o apelo e a corrida às armas entrou no nosso dia a dia, as notícias da guerra fazem hoje parte do nosso quotidiano. Ao contrário do que nos querem fazer crer nenhuma guerra interessa aos povos, aos trabalhadores. São impulsionadas por interesses capitalistas. Não há capitalismo bom, o capitalismo é o mal de tudo. Porque é no capitalismo que assenta a exploração do homem pelo homem. E é na base desta exploração, de uns pelos outros, que se dão e se alimentam as guerras.
Olhemos para o que se passa no médio oriente, na Europa e questionemos os motivos e os interesses que servem de justificação para as guerras em curso. Olhemos para o genocídio em curso na Palestina ou para o criminoso embargo de décadas a Cuba para facilmente percebermos que o que está em causa é o domínio imperialista dos EUA e dos seus aliados, muitos hoje calados, como a UE, e que permitem que tudo isto esteja a acontecer.
Daqui também deixamos uma palavra a esses trabalhadores, a esses povos, uma palavra de esperança e de confiança, uma palavra de solidariedade. Uma palavra de acreditar que outro futuro é possível. Mas também deixamos aqui, como não podia deixar de ser, uma palavra de repúdio, pela forma como o governo português se tem comportado em todos estes processos. Ao governo português lembramos - nenhuma guerra é distante demais.
E basta para isso ver o que está a acontecer hoje no nosso país. Camaradas, nós estamos perante um brutal aumento do custo de vida e ao mesmo tempo perante uma autêntica inércia deste governo no que diz respeito a tudo – que diga respeito aos trabalhadores – o capital esse não se queixa.
Não é possível nem podemos aceitar que:
• No momento em que o preço do cabaz alimentar atinge valores recorde - aumentou 40% desde 2022;
• No momento em que o preço das casas atinge máximos históricos – mais 35% em apenas dois anos;
• No momento em que os trabalhadores se confrontam com um enorme aumento dos preços dos combustíveis;
sejamos confrontados com notícias como vimos esta semana, da GALP atingir nos primeiros três meses do ano, exactamente no mesmo período em que sofremos com o galopante aumento dos preços dos combustíveis, lucros recorde de 207 milhões de euros, mais 40% face aos primeiros três meses do ano transacto. A BP camaradas, teve um aumento de lucros de 460% nos primeiros três meses do ano. Mais de 3 mil milhões de euros de lucros.
Camaradas, isto não é engano, isto é roubo!??? Isto é indecente! E não nos querem indignados? Querem que vejamos tudo isto como normal? Isto é roubar!???
Temos dito e continuamos a dizer, este não é apenas um governo que é inimigo dos trabalhadores, este é um governo que vai ao bolso dos trabalhadores. É um governo de mãos dadas com o capital, que não conhece a realidade, que não vive a realidade, que não faz ideia como vivem a maior parte dos portugueses.
Porque só um governo assim consegue dizer, perante este brutal aumento do custo de vida e de todos as dificuldades impostas a quem trabalha, que 2300 euros é uma renda moderada, ou que, como disse o primeiro-ministro recentemente, o país e os portugueses estão melhores, ou por exemplo, quando disse no inicio do seu mandato, que tinha um plano de 60 dias para a saúde e para a educação e passados dois anos aquilo a que estamos a assistir é uma completa e assumida degradação do SNS e da Escola Pública.
Não é possível não ficarmos indignados camaradas. Porque este governo tem uma agenda, um objectivo, um caminho a seguir. E esse caminho e objectivo é contra quem trabalha, é contra quem trabalhou uma vida inteira, é contra os jovens que querem ter uma vida diferente daquela com que hoje se confrontam.
O ataque aos serviços públicos é uma evidência. São mais os bebés a nascer em ambulâncias, culpa da política do Governo, que provoca falta de médicos, falta de enfermeiros, falta de técnicos e auxiliares? É por culpa sua que há encerramento de urgências, de valências, de centros de saúde, falta de meios físicos e humanos.
Na escola pública, alunos um ano inteiro sem terem as aulas completas por falta de professores. Um Estatuto da Carreira Docente que está há dois anos a ser negociado e que se arrasta de reunião em reunião sem respeitar aqueles que são parte fundamental na construção de cada um de nós.
As forças de segurança que ainda esperam que seja cumprido o acordo apresentado, o reforço de meios e de profissionais.
Mas o mesmo se passa, na justiça, nos serviços, na cultura e na segurança social e nas transferências de competências para as autarquias sem transferirem os meios financeiros. Ataques atrás de ataques, para denegrir a imagem do serviço público sempre com o objectivo de promover o assalto dos grupos económicos e financeiros a esses serviços.
Esta não é uma mera coincidência ou falta de capacidade deste governo. São objectivos concretos.
Assim como é a discussão em torno do pacote laboral. O que este governo está a fazer é um dos maiores ataques de sempre aos trabalhadores, é apresentar um autêntico retrocesso para quem trabalha como se de avanços se tratassem. É mentir.
São 9 meses disto camaradas. 9 meses que o governo se recusou e fugiu à discussão com a CGTP-IN. Exactamente porque nós denunciamos logo desde o primeiro momento o conteúdo deste pacote laboral e o que significa para a vida de quem trabalha. Porque a CGTP-IN apresentou as propostas sobre a legislação laboral que os trabalhadores precisam e o Governo fugiu à sua discussão. Queriam impor as propostas dos patrões. NÃO! Estão muito enganados. Nos queremos é discutir as propostas ao serviço de quem trabalha e do desenvolvimento do País. Nós queremos avanços, progresso, uma vida melhor. Nós somos trabalhadores.
E passados 9 meses camaradas, o governo procura mistificar, mas continua a insistir com tudo o que de mais grave tem o pacote laboral.
Está lá a precariedade, a normalização da precariedade. Dizem-se preocupados com a juventude, mas está lá permitir ás empresas contratar a prazo os jovens à procura do primeiro emprego.
Está lá o outsourcing, que mais não é que permitir ás empresas que efectuam um despedimento colectivo, puderem externalizar esse mesmo serviço a outras empresas, à custa de quê? De salários mais baixos e de maior precariedade, mas estão preocupados com os trabalhadores dizem eles!
Estava e continua a estar a facilitação dos despedimentos, a possibilidade de um trabalhador despedido ilicitamente poder não ser reintegrado no seu local de trabalho. Está lá camaradas.
Está lá, o pagamento do subsídio de férias e do subsídio de natal em duodécimos. Mais uma forma de explorar os trabalhadores. Não há nenhum trabalhador, cujo salário lhe permita fazer face ás suas despesas mensais e lhe permita ter uma vida estável que vá abdicar do direito que tem, de um direito que é seu, de poder gozar as suas férias e de ter o natal que tem direito e merece. Quem o faz, faz porque o salário não chega e isto sim é que é uma vergonha.
Está lá o ataque ao direito de greve com o alargamento dos sectores obrigados a terem serviços mínimos. A Greve é a arma dos trabalhadores. É a ferramenta que os trabalhadores têm para combater a injustiça, de lutarem pelos seus direitos, de equilibrarem uma relação que já é hoje profundamente desequilibrada.
Está lá o ataque à organização dos trabalhadores. Está lá o impedimento dos sindicatos de entrarem nos locais de trabalho onde ainda não existe organização. Isto é um ataque do mais vil. Não permitir que o sindicato contacte os trabalhadores. Impedir ao trabalhador acesso à informação, à organização, à discussão colectiva.
Está lá camaradas, o ataque à contratação colectiva, a promoção da sua caducidade, a possibilidade de ser o patrão a decidir qual a convenção colectiva a aplicar na empresa. Esta é uma daquelas matérias, de muitas que são inconstitucionais. Onde está a liberdade de associação? Onde está a liberdade de cada um de nós decidir onde quero estar sindicalizado? É o patrão que decide? Mas é isto que lá está camaradas.
Como está, porque nunca saiu, o banco de horas. 150 horas de trabalho extraordinário não pago.
É isto que interessa aos trabalhadores? É isto que vai impulsionar a vida de quem trabalha? É isto que vai dar estabilidade a quem trabalha? É isto que vai permitir uma vida diferente a quem trabalha? É isto que permite ao País desenvolver-se?
Nós já sabemos a resposta. Os trabalhadores já deram a resposta. Os trabalhadores, a sociedade no seu todo já deu a resposta. Rejeitamos o pacote Laboral. Não queremos o pacote laboral. Retirem o pacote laboral.
Foi isso que disseram os trabalhadores na grandiosa Greve Geral do passado dia 11 de Dezembro. Foi isso que disseram os trabalhadores nas mais de 190 mil assinaturas que entregámos ao 1º Ministro. Foi isso que disseram os trabalhadores em todas as manifestações que temos realizado. Foi isso que disseram os trabalhadores na Grandiosa Manifestação que realizamos no passado dia 17 Abril em que enchemos as ruas desde a Praça do Saldanha à Assembleia da República. É isso que estamos a dizer hoje nesta grandiosa jornada do 1º de Maio em todo o País. Foi isso que esteve na rua no 25 de Abril, cujos valores e conquistas são também um alvo do pacote laboral.
E é isso que continuarão a exigir os trabalhadores na luta que vai continuar. Vamos afirmar a nossa indignação e protesto, a exigência de uma vida melhor, da derrota do pacote laboral, vamos afirmar a poderosa força dos trabalhadores. Todos juntos vamos realizar uma grande greve geral no próximo dia 3 de Junho. E aqui, hoje, perante milhares de trabalhadores, a CGTP-Intersindical Nacional apela, mais uma vez, aos trabalhadores para a luta. Apela à convergência de todas as estruturas dos trabalhadores. Vamos construir dia a dia essa grande jornada de unidade, força e dignidade dos trabalhadores, pelos direitos, pelos salários, por um país mais justo e desenvolvido.
Lembrem-se camaradas. Serão sempre os trabalhadores a decidir do seu futuro. Serão sempre os trabalhadores a ditar o desfecho de todo e qualquer processo. E juntos camaradas, vamos construir mais um grande momento de luta, mais uma grande greve geral.
O governo e os que o apoiam querem insistir com o retrocesso e a injustiça, mas daqui lhes dizemos - lembrem-se que deste lado estão os trabalhadores, deste lado está quem trabalhou uma vida, deste lado está quem tem a esperança de encontrar no trabalho a estabilidade para o seu futuro. E são estes, a maioria, que darão o verdadeiro combate à minoria que vos patrocina e apoia.
Nós queremos e exigimos uma vida melhor.
Queremos mais salário, uma justa distribuição da riqueza, que se rompa com este caminho de exploração. Perante o aumento do custo de vida exigimos pelo menos, 15%, num valor não inferior a 150€, nos locais de trabalho e empresas onde ainda não houve aumentos salariais. E, nos locais de trabalho e empresas cujos aumentos salariais verificados foram insuficientes e não responderam às necessidades e reivindicações dos trabalhadores, exigimos aumentos intercalares para fazer face ao brutal aumento do custo de vida. Queremos o combate à precariedade, que a cada posto de trabalho permanente corresponda um vínculo de trabalho efectivo e que permita a estabilidade que cada um de nós procura no seu futuro.
Queremos o fim de todos os mecanismos de desregulação dos horários de trabalho, bancos de horas e adaptabilidades. Num tempo de avanços ímpares na tecnologia, exigimos as 35h para todos os trabalhadores sem excepção e sem redução do salário.
Queremos uma contratação colectiva forte, que permita a elevação das condições de vida e de trabalho, o fim da caducidade das convenções colectivas e a aplicação na integra do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador.
E no ano em que se celebra os 50 anos da Constituição da República Portuguesa exigimos que se cumpra e se faça cumprir a Constituição. Está lá tudo aquilo que a revolução de Abril trouxe. Está lá tudo o que são avanços.
O direito à habitação. O direito à saúde. O direito à educação. O direito ao trabalho e ao trabalho com direitos
O problema, ao contrário do que alguns querem fazer crer, não está no conteúdo da nossa constituição. Está sim no seu incumprimento. Então cumpram aquilo que juraram defender, cumprir e fazer cumprir. Cumpram a Constituição.
Caros camaradas,
A luta, como temos dito ao longo de todo este tempo, é urgente, exigente e prolongada. Sabíamos e sabemos quem temos pela frente. Mas olhem para o vosso lado. Olhem para os milhares que somos. Olhem para a nossa força. Para a força de quem trabalha!
Nós conseguimos tanto e conquistamos tanto. Muitas vezes não o dizemos, mas precisamos muito de valorizar os avanços conquistados com a nossa luta. E por isso valorizar e muito a luta dos trabalhadores da Deheus que conseguiram os 90 euros de aumento salários mais subsidio de turno, os trabalhadores da SAS que conseguiram 120 euros de aumento do salário, os trabalhadores da SMP, da Continental Mabor, com 100 euros de aumentos, os trabalhadores da Cimpor e Secil com aumentos entre os 90 os 140 euros nos salários mais a redução dos horários para as 37.5h, ou por exemplo os trabalhadores da área logística da Superbock da empresa Rangel que atingiram os 130 euros de aumento salarial e muitos, muitos outros camaradas.
Camaradas,
Olhemos para o futuro com esperança, com confiança na força dos trabalhadores.
Vamos à luta camaradas!
Se com uma alavanca podemos mover o mundo imaginem com os braços firmes de quem trabalha.
Viva a Greve Geral!
Vivam os trabalhadores!
Viva a CGTP-Intersindical Nacional