Camaradas,
Que grande acção, que grande momento de luta e de afirmação. Em nome da CGTP saudar todos os presentes, aqui em Lisboa, mas também em Coimbra e no Porto.
Estamos em luta camaradas. E todos nós estamos perfeitamente cientes do que nos traz hoje à rua. Basta olhar para as nossas vidas. Basta olhar para a nossa realidade, a realidade da maioria, a realidade de quem trabalha e trabalhou uma vida inteira, a realidade dos mais jovens. Basta olhar para o nosso dia a dia.
Hoje fica bem evidente que vivemos num permanente confronto de classes, que cada vez mais se intensifica e que cada vez mais fica claro aos olhos de cada um de nós.
Tenhamos consciência de uma coisa. Quando temos um governo que não vê o mundo com os olhos de quem trabalha, de quem vive do seu trabalho, da juventude, da maioria do povo, dificilmente vamos ter uma política que responda aos interesses dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens, dessa mesma maioria. São interesses diferentes e opostos, interesses de classe e o grande capital nunca irá olhar para quem trabalha no sentido da elevação das suas condições de vida. Irão sempre realizar uma política que sirva os seus próprios interesses e a acumulação de riqueza à conta da exploração.
A realidade que vivemos é-nos imposta por decisores políticos. E por isso, quando questionamos o porquê, o porquê deste brutal aumento do custo de vida, o porquê do brutal aumento dos custos nos combustíveis, na energia, na alimentação, na habitação, é importante que tenhamos a noção que tudo isto advém de decisões políticas que são tomadas, ou a falta de coragem para as tomar, ou talvez o compromisso e a vontade para não as tomar.
Por isso camaradas, quando nos questionarmos sobre o rumo que o país segue, tenhamos consciência disso mesmo, o rumo seguido é fruto de decisores políticos comprometidos com os seus interesses de classe e defensores do mesmo. E nós sabemos bem quem representam o PSD, o CDS, o CH e a IL.
A nossa manifestação de hoje tem esse objectivo, fazer ouvir a voz de protesto e indignação e lutar por um rumo diferente, uma política diferente. Que coloque os trabalhadores no centro das suas decisões. Hoje lutamos contra um brutal aumento do custo de vida, lutamos contra o ataque aos serviços públicos que está em curso, nomeadamente, ao serviço nacional de saúde e à escola pública. Hoje lutamos em defesa da segurança social. Hoje lutamos pelo direito à habitação. Hoje lutamos pela elevação dos direitos de quem trabalha e por melhores salários e pensões. Hoje é um importante dia de luta.
A semana passada o governo apresentou o OE para 2027. O OE é um dos mais fortes instrumentos políticos para a concretização de objectivos traçados. E aqui fica bem evidente a quem este governo presta a vénia.
E este OE é dos maiores ataques aos trabalhadores, ao povo, aos serviços públicos, ao país.
Este é um Orçamento do Estado que esmaga a vida de quem trabalha.
São milhões de euros nas mãos dos mesmos de sempre. Com a descida do IRC para as empresas, a perda acumulada em 2027, ultrapassa os 730 milhões de euros. Até 2029, a perda acumulada em IRC significará mais de 5 mil milhões de euros. Agora acresçam a isto os benefícios fiscais para as empresas em mais de 1,7 mil milhões de euros.
É um poço sem fundo camaradas. Para uns nunca há problemas. Há sempre dinheiro. Para os trabalhadores, para os reformados, para reforçar os serviços públicos, nunca há dinheiro.
Estamos a falar camaradas do mesmo OE que prevê um corte na despesa do SNS de 1.5%. Que prevê, mais uma vez, num orçamento já curto, que 50% do mesmo vá direitinho para os grupos privados. Milhares de milhões de euros. Talvez percebamos agora porque vemos a ministra da saúde a andar a percorrer o país a inaugurar hospitais privados. A saúde não é um negócio. A saúde é um direito.
Um OE que aquilo que prevê de aumento para a educação nem sequer cobre a inflação prevista para 2027. Uma vergonha.
Mas que conseguiu encontrar verbas suficientes para as PPP´s – os Encargos Globais com as PPP´s são mais 1,8 mil milhões de euros. E isto acontece sempre com uma previsão constante de redução dos custos com as PPP´s. Nunca se concretizaram estas espectativas. Aqui não há contas certas. Aqui não importa se existem deslizes ou não. Aqui são os recursos públicos a financiar o capital. Então deixe-se andar.
Por isso, quando ouvimos dizer que nunca há dinheiro para nada, é bom que tenhamos noção disto mesmo. O dinheiro existe. Vai é para o bolso dos mesmos de sempre.
Mais uma vez reforço camaradas, enquanto tivermos a governar o país quem não vive a realidade de quem trabalha, nunca vamos encontrar resposta aos problemas concretos. Porque são esses mesmos a causa de todos os problemas.
São esses a causa da degradação do serviço nacional de saúde, são esses a causa dos ataques à escola pública, são esses a causa da grave situação da habitação, são esses as causas dos baixos salários, da retirada de direitos, são esses que estão a querer meter a mão na segurança social.
A segurança social não é do Estado… não está à venda…não é leilão! A Segurança Social é dos trabalhadores. Foi elaborado um relatório e quem o encomendou sabia bem o que queria e o objectivo que quer atingir. Só para ficarmos bem cientes do que está em causa… hoje a segurança social tem na sua conta poupança, o FEFS mais de 49 MM euros. O próprio governo tem um estudo que prevê que este fundo atinja em 2040 mais de 100 mil milhões de euros camaradas…. E eles sabem disso… o capital sabe disso… Estão lá a picar como vampiros a querer sugar tudo onde conseguirem colocar os dentes.
Estão enganados…. Estamos aqui para lhes dar luta!
E camaradas, tudo isto não está desligado da questão central – o trabalho, os salários, os direitos, as pensões de reforma.
Os trabalhadores atravessam um momento difícil das suas vidas. Sentimos na pele o esmagador aumento do custo de vida que nos assola diariamente. Vemos os preços dos combustíveis a subir, vemos o preço das casas em máximos históricos, vemos o preço dos bens alimentares em patamares nunca vistos e parece que não se passa nada. E este governo parece que não tem responsabilidade em nada disto. É tudo consequência de tudo, menos da responsabilidade do governo.
Há quanto tempo é que nos põem em causa a nossa soberania???
Há quanto tempo é que nos deixamos comandar por orientações e objectivos que não respondem ao interesse nacional?
Com autorização de quem?
É que é mesmo isso que parece! Que perdemos a capacidade de decidir do nosso futuro, de decidir o que é melhor para o nosso país e passamos a ser uns paus mandados de interesses que não são os nossos.
Camaradas, nós somos um país soberano e capaz de decidir do seu futuro. Temos é à frente do país quem representa o que de mais negativo existe.
Forçam o povo a passar dificuldades. Permitem que isto esteja a acontecer e nada fazem. Dizem que o aumento dos combustíveis se deve às guerras! Mas eles apoiam e promovem essas guerras. E são 4,5 milhões de euros camaradas. 4,5 milhões de euros que a GALP tem de lucro por dia!
Dizem que o aumento dos preços das casas é inevitável. São 14 milhões de euros camaradas. 14 milhões de euros que a banca tem de lucros por dia. São 14 milhões de euros fruto da especulação, fruto de juros que enterram as famílias e sobre os quais nada se faz e nada se procura fazer. São os fundos especulativos que tomam conta das casas. Não pode ser. Há falta de habitação pública. Temos cerca de 2% de habitação pública no nosso país. E conseguiram a proeza de baixar neste OE o valor estabelecido para a habitação pública em 6%.
Liberalizam as rendas, facilitam os despejos, colocam rendas moderadas a 2.300 euros tal qual vampiros.
Vamos ao supermercado. O preço do cabaz alimentar insuportável. A carne sobe, o peixe sobe, os legumes sobem, a fruta sobe. 2 milhões de euros. São dois milhões de euros que os grupos Jerónimo Martins e Sonae têm de lucros juntos por dia.
Perguntem aos seus accionistas e gestores se sentem no seu dia a dia o efeito do aumento dos preços, da casa, dos combustíveis, dos alimentos.
E isto tem responsáveis. Tudo isto tem responsáveis. Um governo do PSD e do CDS ao serviço do capital, com as suas muletas sempre preparadas para lhe estender o braço o CH e a IL. Mas ao PS deixar um recado bem claro. Aqueles que procuram ficar no meio do muro irão perceber que com essa falta de afirmação quem sofre é o povo, são os trabalhadores. E que esses não se esquecem. É que aqui, não se aplica a velha máxima de que, enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Não camaradas. É que os trabalhadores, os reformados, a juventude estão a sofrer. Não brinquem com quem trabalha.
A degradação dos serviços públicos tem responsáveis.
Entrega-se aos grupos privados empresas estratégicas para o país como a EDP, como os CTT, como a REN e agora como querem fazer com a TAP, empresa à qual os tubarões aparecem logo para devorar…. Porque será? Não é competitiva a TAP? Claro que é camaradas, por isso o privado corre atrás dela. Mas e a degradação do SNS, da Escola Publica, da habitação. O ataque à segurança social. A degradação dos salários e dos direitos. As baixas reformas e a insegurança das nossas vidas, não têm responsáveis? Claro que têm, PSD e CDS e todos aqueles que, com o seu posicionamento continuam a validar a sua política.
Procuram lançar cortinas de fumo para encobrir o ataque aos salários. O aumento dos salários é fundamental. Distribuam melhor a riqueza. Dêem aos trabalhadores aquilo que é dos trabalhadores. Somos nós que produzimos a riqueza. Somos nós os imprescindíveis. Somos nós os trabalhadores. Paguem melhores salários. Reduza-se os impostos para quem trabalha sim, mas carreguem neles para quem mais tem, para quem nos explora.
A redução do IRS avançada por este governo, agrava a injustiça fiscal e tem exactamente o mesmo o mesmo efeito que o complemento que o governo decidiu atribuir aos reformados no fim do ano – zero….
Não tira nem os trabalhadores nem os reformados da circunstância em que se encontram. Queridos camaradas. O ano não tem só um mês…. Tem doze. E os reformados precisam de reformas sérias como todos nós precisamos de salários sérios.
É por isso que a CGTP reivindica o aumento geral de todos salários de 15% no mínimo de 150 euros e o aumento do SMN para 1100 euros já no início do ano que vem. É possível? É camaradas.
O que não é possível é termos no nosso país os trabalhadores a terem ordenados baixos – isso é que não é possível.
O que não é possível é termos quase 50% dos reformados a levarem para casa reformas até 500 euros por mês – isso é que não é possível.
É possível um rumo diferente para o país???? É camaradas! É possível!
Foi com a nossa luta, com o nosso acreditar, com a nossa entrega, com a força de todos nós, de todos os trabalhadores que conseguimos atingir uma das maiores vitorias dos tempos recentes – derrotamos o pacote laboral! Lutamos, acreditamos e conquistamos.
Sentimos e sabemos que é possível. E é por isso que temos que continuar a lutar!
É por isso que exigimos o aumento significativo dos salários e das pensões para responder ao aumento do custo de vida!
É por isso que exigimos medidas para travar o aumento do custo de vida e o controlo dos preços do bens e serviços essenciais!
Exigimos a defesa, investimento e reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, do SNS, da Escola Pública, da Segurança Social, da Habitação!
Combatemos a escalada da guerra, o desvio de milhares de milhões de euros do que é preciso para os trabalhadores, a juventude, o povo e o País para a corrida aos armamentos, exigimos a paz, promovemos a solidariedade com os povos, com todos e de forma particular com Cuba e a Palestina.
E daqui camaradas, assumimos o compromisso de intensificar a luta e a mobilização dos trabalhadores, numa dinâmica crescente de luta que responda ás nossas justas reivindicações.
É exactamente por isso que daqui saudamos todos os trabalhadores com processos de luta em curso, e dizer que contamos com todos vós, com todos os trabalhadores, com todos aqueles que trabalharam uma vida inteira, com a juventude, para fazer do próximo mês de Novembro um mês de acção e luta e que, entre outras acções, assumamos desde já, que no próximo dia 24 de Novembro, dia em que está prevista a votação final do Orçamento de Estado, que vamos lá estar, na rua, junto à Assembleia da República, em mais uma grande jornada de luta! Daqui afirmamos a determinação de recorrer a todas as formas de luta que a situação imponha, com vista à defesa dos direitos dos trabalhadores e à melhoria das suas condições de trabalho e de vida.
Será a luta dos trabalhadores a travar a ofensiva e forçar um novo rumo, com uma nova política, que garanta uma vida digna para todos os que vivem e trabalham no país.
Será a luta que concretizará os direitos que a Constituição da República consagra.
Camaradas;
Em Portugal, no último ano, teve lugar a mais expressiva luta dos trabalhadores em toda a Europa.
Foi a luta, a nossa luta, que assegurou a vitória dos trabalhadores com a derrota do Pacote Laboral. Mas a luta não parou. A luta continuou e está em desenvolvimento. A luta é o caminho da vitória. Acreditemos em nós, na nossa força, na nossa unidade. Acreditemos que é possível. Hoje ficou aqui nesta manifestação nacional bem patente a vontade de quem trabalha. Ficou aqui, bem preto no branco, que não vamos baixar os braços, que vamos à luta, ao combate.
Aqui, nesta luta por todo o País, afirmou-se a voz da indignação e do protesto, afirmou-se a exigência da mudança para uma vida melhor, afirmou-se a força imensa da nossa luta. Aqui, estão os trabalhadores! E aqui assumimos…. A luta continua!!!
Vamos à luta camaradas!
Viva a luta dos trabalhadores
Viva a CGTP-IN
A Luta Continua!