NOTA DE ESCLARECIMENTO
Na sequência das recentes declarações públicas de responsáveis ligados à gestão do Matadouro Industrial do Cachão e de intervenções ocorridas na Assembleia Municipal de Mirandela, o SINTAB vê-se na obrigação de repor a verdade dos factos e esclarecer a opinião pública.
Tem sido repetida, com uma insistência que não deixa de causar estranheza, a acusação de que o SINTAB teria afirmado que o Matadouro Industrial do Cachão se encontra encerrado. Ora, tal afirmação é simplesmente falsa.
Na nota de imprensa emitida por este Sindicato, amplamente divulgada e acessível, o que se afirma, de forma clara e inequívoca, é precisamente o contrário: que o complexo continua a laborar em pleno, mesmo após a declaração de insolvência, sendo esse facto apresentado como prova da sua importância vital para a região.
Perante isto, importa perguntar: onde está, afinal, a “mentira” que agora se pretende imputar ao SINTAB?
A resposta parece evidente: não está. O que existe é uma tentativa deliberada de construir uma narrativa que desvie atenções do essencial, que é a gravidade da situação, são as responsabilidades acumuladas e as opções políticas e de gestão que conduziram a este desfecho.
A insistência nesta falsa polémica, seja por parte da administração, seja por responsáveis autárquicos, não só é abusiva como levanta sérias preocupações quanto à existência de uma posição concertada para confundir a população e branquear responsabilidades.
Mais ainda, quando analisamos o contexto político e institucional recente, surgem elementos que merecem escrutínio. É, no mínimo, legítimo questionar o facto de, após a eleição do atual presidente do conselho de administração da AIN para vereador da Câmara Municipal de Vila Flor, não ter sido nomeado qualquer substituto para gerir o complexo. Esta opção, longe de ser inocente, pode ser interpretada como sinal de um desfecho já antecipado, eventualmente preparado após o ciclo eleitoral.
Acresce a tudo isto, o facto de os Trabalhadores nos terem alertado para a alegada afixação e remoção de um documento, no matadouro, tudo no mesmo dia, presumivelmente o edital da sentença de insolvência, afixado na plataforma eletrónica judicial no dia 20 de março de 2026.
Trabalhadores e população têm o direito e dever de questionar toda esta sequência de acontecimentos, assim como a quem interessaria ocultar ao máximo toda esta informação.
Trabalhadores e população tem o direito e dever de observar o histórico recente de colocação de lotes do complexo à venda, apreciando preços e compradores, retirando ilações.
Tudo isto reforça a necessidade de transparência e de responsabilização.
O SINTAB não se deixará arrastar para manobras de diversão. O que está em causa não é uma disputa de palavras, mas sim o futuro de trabalhadores, de famílias e de um setor estratégico para toda a região transmontana.
Reafirmamos, por isso, a nossa profunda preocupação com o futuro dos trabalhadores do Matadouro Industrial do Cachão e com o impacto desta situação no complexo agroindustrial da região. Apelamos à população para que acompanhe com atenção, espírito crítico e exigência as ações, opções e decisões das autarquias de Vila Flor e Mirandela, diretamente responsáveis pelo rumo deste processo.
A verdade não se apaga com declarações. E os interesses da região não se defendem com manobras de distração.
Fonte: SINTAB
