POSIÇÃO DO SITE-CSRA, SINDICATO DAS INDÚSTRIAS TRANSFORMADORAS E ACTIVIDADES DO AMBIENTE, FACE À SITUAÇÃO DE LAY OFF NA MITSUBISHI/FUSO EM ABRANTES

O SITE-CSRA repudia todo o processo que culminou na actual situação de lay-off na unidade de produção da Mitsubishi/Fuso em Abrantes, pelo que expõe as razões desta sua tomada de posição:

  • Desde há mais de um ano que a empresa tinha conhecimento das alterações que a produção viria a sofrer, face às pretensões de substituir o modelo Canter ligeiro/diesel por modelos eléctricos, passando mesmo a assumir publicamente e junto da Comissão Sindical e dos trabalhadores, a produção de modelos pesados eléctricos, não se preparando para essa transição, quer em termos técnicos, quer em termos de prospecção do mercado alvo e dos seus recursos humanos;
  • O recurso ao lay-off, que no fundo consiste no recurso a dinheiros públicos, provenientes das contribuições dos trabalhadores para a Segurança Social, para fazer face a esta situação, que é única e claramente da responsabilidade da empresa, é profundamente injusto e desadequado, face ao atrás citado, pelo que também coloca os trabalhadores numa situação de grande fragilidade, pois vêem os seus rendimentos reduzidos para 2/3, numa fase da sua vida diária em que são confrontados com o constante e brutal aumento do custo de vida e dos bens de consumo essenciais;
  • As incertezas face ao futuro, causadas na vida dos trabalhadores, num momento em que os grandes grupos económicos envolvidos neste processo (Daimler Trucks, Mitsubishi Fuso e Hino), já acumulam milhões de lucros, é deveras digna de repúdio, pois coloca os que criam riqueza, a pagar uma factura bem alta, não sendo estes os responsáveis pelo estado em que as suas vidas estão a ser colocadas;
  • A defesa intransigente dos postos de trabalho, tem que ser garantida, pois é ela própria, garantia de futuro da produção, numa unidade estratégica para a região e para a produção nacional, tal como deve ser garantido o pagamento dos salários a 100% sendo que, e novamente se afirma, os trabalhadores em nada contribuíram para esta situação;
  • A postura do Governo face a esta situação, não deve ser a de “ficar a assobiar para o lado”, pois estão em causa recursos produtivos, quer materiais quer humanos, com um peso grande na economia nacional, e com largos anos de prestígio no que à produção automóvel diz respeito.

Fonte: SITE-CSRA