A CGTP-IN exige a libertação dos presos políticos detidos há 16 anos no seguimento da violenta repressão aos acampamentos de Gdeim Izik, em que mais de 20.000 saarauís protestaram de forma pacífica pelo fim da ocupação marroquina do Saara Ocidental e pela autodeterminação do povo Saaraui em 2010.

Os prisioneiros, encarcerados em prisões fora do território ocupado do Saara Ocidental retomaram a 29 de Setembro uma greve de fome por tempo indeterminado, denunciando a arbitrariedade da sua detenção. Em 2010 as autoridades marroquinas detiveram 25 Saarauís, dos quais 18 continuam presos e onde 9 entraram em greve de fome. O grupo de trabalho da ONU sobre detenções arbitrárias denunciou as práticas de tortura, maus-tratos e violações das garantias judiciais com que estes presos estão sujeitos. Este organismo das Nações Unidas denuncia,e a condições degradantes e negligentes do seu encarceramento, fora dos Saara Ocidental e longe das suas famílias, aviltando o direito internacional, a falta de um julgamento justo, considerando esta detenção por arbitrária e exigindo a libertação imediata dos 18 activistas saarauís.

Esta é uma expressão da repressão e opressão que o Reino de Marrocos impõe ao povo saaraui no Saara Ocidental ocupado, numa política de marginalização, restrição dos direitos políticos, laborais, culturais. Enquanto o reino de Marrocos expropria as riquezas do Saara Ocidental, que inclui turismo, pescado, e minerais, incluindo das maiores reservas de fosfato do mundo, ao povo saaraui é imposto o desemprego, o corte ao acesso à habitação, proibição da expressão linguística e cultural e ataques à liberdade sindical.

Ao mesmo tempo, Marrocos coloca cada vez mais entraves à independência do Saara Ocidental e à realização do referendo com vista à sua autodeterminação e soberania, como preconizam sucessivas resoluções da ONU, antes promovendo um plano de dita “autonomia”, com o apoio dos EUA, Israel e de países da União Europeia como Espanha, França e Portugal.

A CGTP-IN exige a libertação dos presos políticos saarauis de Gdeim Izik, detidos há 16 anos pelo reino de Marrocos por defenderem a autodeterminação e os direitos do seu povo.

Exigimos que o governo português tenha uma atitude firme e comprometida com o direito internacional, nomeadamente as decisões da ONU contra a tortura e as prisões arbitrárias que Marrocos viola, e que seja uma voz na denúncia destes crimes e pela libertação dos presos políticos, assim como uma força pela paz e a soberania exigindo o fim da ocupação marroquina do Saara Ocidental.

A CGTP-IN reafirma o seu firme compromisso de solidariedade com o povo e os trabalhadores da Saara Ocidental, nos territórios ocupados, nos territórios libertados e nos acampamentos em Tindouf e a sua luta por um Saara livre, independente e soberano, através da realização de um referendo de autodeterminação com vista à sua independência e soberania, como preconizam as sucessivas resoluções da ONU.

INT/CGTP-IN
12.10.2026